Há gerações o Brasil sofre com entraves ao seu crescimento com constantes instabilidades e crises que o mantém em um patamar muito baixo de desenvolvimento econômico e social.
Assim, não é de se admirar a persistência de um número elevado de pessoas vivendo em extrema limitação financeira, dificuldade de subsistência e endividamento. A hipossuficiência econômica é um termo importado da área jurídica que melhor descreve essa realidade, muito comum em nosso país.
O objetivo deste artigo é entendermos melhor o que é a hipossuficiência econômica. Para isso, vamos iniciar o texto revisando o conceito e a origem desse termo. Por fim, vamos conhecer também algumas dicas importantes que podem ajudar a planejar melhor o orçamento e evitar esse tipo de situação. Acompanhe!
O que é hipossuficiência econômica e quais as suas características?
Do ponto de vista legal ahipossuficiência econômica é uma declaração de incapacidade financeira para o pagamento de taxas e custas de ordem jurídica. Na prática isso significa uma declaração de pobreza que denota dificuldade que um indivíduo ou família possuem em honrar compromissos e manter a sua subsistência.
Essa condição é marcada por limitações e até mesmo ausência de recursos para suprir necessidades básicas. Tal declaração está prevista no NCPC - Novo Código de Processo Civil (lei nº 13.105/15) especificamente nos artigos 98 a 102, cujo objetivo é facilitar o acesso à justiça a partir da gratuidade oriunda deste atestado. Assim, a gratuidade da justiça abrange:
- Honorários de advogados e outros profissionais envolvidos no processo como perítos e intérpretes;
- Despesas de publicação em órgão de imprensa oficial;
- Custas e taxas de ordem jurídica;
- Selos para postagem;
- Realização de exames essenciais, como de DNA;
- e outros
Ainda do ponto de vista legal, é importante destacar que para ser considerado hipossuficiente não há um nível de renda pré-definido, pois a comprovação é aberta a todas as faixas de remuneração.
Portanto, alguém que apresenta despesas maiores do que a sua fonte de renda total, também pode ser considerada hipossuficiente. A título de exemplo, podemos citar o caso de pessoas que possuem gastos altíssimos com medicamentos necessários para o tratamento de alguma doença ou condição médica permanente.
Como evitar a hipossuficiência econômica?
Diante do exposto fica muito fácil compreender a importância da adoção de medidas preventivas a fim de evitar uma situação de hipossuficiência econômica.
De igual modo, para superar esse estado é preciso que tais medidas de prevenção (ousuperação) tornem-se prioridade e envolvam todos os membros de uma família. Os motivos que levam a hipossuficiência são variados e complexos e por isso não existe uma fórmula simples de vencer essa condição.
Contudo, por meio da educação financeira e muita força de vontade é possível sim organizar minimamente as finanças e buscar uma melhora paulatina. Portanto, esteja pronto para proteger a sua vida financeira adotando novas estratégias, novos modos de agir (hábitos, rotinas, comportamentos) e principalmente, novas formas de pensar e gerir o seu orçamento.
Confira a seguir algumas das principais dicas nesse sentido.
1 - Realize uma autoanálise
O primeiro passo para evitar a hipossuficiência econômica é realizar uma autoavaliaçãosincera a respeito das suas condições atuais. Essa dica é importante pois muitas pessoas chegam a situações de aperto financeiro justamente por não dar a devida atenção ao tema.
Geralmente as pessoas agem por impulso e consomem todos os recursos sem almenos pensar sobre a sua situação, os seus sonhos, objetivos e a viabilidade da construção de uma vida mais próspera.
Portanto,faça uma autoanálise sobre a sua experiência de vida e o que você gostaria para o futuro. Tente apontar quais foram os seus erros e acertos até então, e em seguida avalie como buscar conhecimento para transformar a realidade das suas finanças.
Lembre-se, toda transformação importante começa primeiro com uma mudança na mente, com a quebra de velhos preconceitos e a adoção de novas perspectivas.
2 - Monte um planejamento financeiro
Munido de novas perspectivas sobre o dinheiro, consciente da sua situação atual e decidido sobre quais os seus sonhos de curto, médio e longo prazo, chegou o momento de planejar como dar vida a todos esses objetivos.
O planejamento é fundamental quando buscamos atingir um determinado resultado, pois é por meio dele que conseguimos enxergar quais são as opções disponíveis, quais as mais viáveis, quais as etapas a serem superadas e o que é necessário fazer em cada uma delas.
Sendo assim, monte um planejamento conforme a sua realidade. Caso acredite que precisa de ajuda nessa tarefa, você pode procurar por consultores especializados ou por conteúdos específicos sobre o tema aqui mesmo no blog.
3 - Priorize o pagamento das suas dívidas
Eliminar por completo as dívidas em atraso precisa ser a prioridade de qualquer pessoa que deseja superar uma situação financeira difícil. Essa atitude pode parecer óbvia, mas não é incomum encontrarmos pessoas que ao receberem algum tipo de capital "extra" fiquem em dúvida se devem quitar contas em atraso ou investir.
Portanto, é necessário frisar que mesmo que você tenha uma consciência louvável sobre a importância dos investimentos, caso possua alguma conta em atraso, esse tipo de decisão é um erro nessas circunstâncias.
Afinal, os juros que você pode receber como remuneração ao aplicar o seu capital nos produtos mais tradicionais do mercado, não chegam perto dos juros acumulados ao deixar de pagar alguma dívida como a fatura do cartão de crédito, o financiamento de algum bem, empréstimos, limite do cheque especial e tantos outros.
Todos esses produtos citados possuem algumas das maiores taxas de juros do mundo que caso não sejam pagas rapidamente formam “bolas de neve” que podem complicar ainda mais a sua situação. Sendo assim, priorize o pagamento urgente das suas dívidas em detrimento de todas as outras opções de consumo, poupança e investimentos.
Até aqui, podemos observar que a hipossuficiência econômica é a definição jurídica de uma condição econômica muito difícil que envolve limitações, dificuldades e muitas vezes necessidade.
Para evitar ou superar situações semelhantes em sua vida financeira, é preciso ter consciência do poder que ações simples como o planejamento e a adoção de bons hábitos, podem proporcionar.****
Dedicar tempo aos estudos e à educação financeira, também é fundamentalpara ampliar a sua base de conhecimentos e informações relevantes para a tomada de decisões mais assertivas na vida profissional, no controle do seu orçamento doméstico e na saúde financeira.
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